Brasília/DF | Circularidade começa na base. Catadores ocupam debate sobre o futuro da logística reversa

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Brasília/DF | Circularidade começa na base. Catadores ocupam debate sobre o futuro da logística reversa

“Nenhuma política de logística reversa será completa enquanto deixar à margem quem sustenta, todos os dias, a recuperação de materiais recicláveis no Brasil.”

Com essa forte posição, representantes dos Catadores e Catadoras participaram nesta quarta, 16 de setembro, em Brasília/DF, do seminário “Política Reversa em Debate”. Promovido pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (ABRAMPA), o encontro reuniu representantes do poder público, Ministério Público, especialistas e organizações da sociedade civil em torno dos rumos da agenda ambiental brasileira.

CATADORES NO CENTRO DA CIRCULARIDADE

A categoria esteve representada por Roberto Rocha, Catador de Material Reciclável e Presidente da Associação Nacional de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat); Luiz Henrique da Silva, presidente da União Nacional dos Catadores (Unicatadores); e Anderson Nassif, Catador de Material Reciclável e diretor de Logística Reversa da Ancat.

A presença conjunta reforçou uma mensagem central: regulamentações, sistemas de logística reversa e novos mecanismos ambientais precisam reconhecer o papel dos Catadores, responsáveis pela base da coleta, triagem e reinserção de materiais na cadeia produtiva. 

Da esquerda à direita: Luiz Henrique da Silva, presidente da União Nacional dos Catadores (Unicatadores); Anderson Nassif, Catador de Material Reciclável e diretor de Logística Reversa da Ancat; e Roberto Rocha, Catador de Material Reciclável e Presidente da Associação Nacional de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat);

REGULAMENTAÇÃO PRECISA CHEGAR À BASE

Durante o encontro, as lideranças defenderam regras capazes de ampliar a participação das Cooperativas, associações e também dos Catadores autônomos nos sistemas de logística reversa. O posicionamento chama atenção ainda aos Catadores em situação de rua, muitas vezes fora dos mecanismos formais de remuneração e reconhecimento.

Em nossa avaliação, avanços regulatórios precisam resultar em inclusão, remuneração justa, maior volume de materiais recuperados e condições concretas de trabalho a quem presta um serviço ambiental essencial ao País.

Anderson Nassif completa:

“A presença dos Catadores na logística reversa também depende de organizações juridicamente estruturadas e institucionalmente regulares. A Ancat acompanha esse processo de perto, pois pendências documentais, administrativas ou legais podem afastar Cooperativas e associações de contratos, programas e mecanismos de remuneração previstos no setor. Garantir essa regularidade significa proteger o espaço conquistado pelos Catadores e evitar que organizações da base sejam excluídas justamente quando novas regras e oportunidades começam a avançar no País”.

VOZ COLETIVA POR QUEM MOVE A RECICLAGEM

A participação da Ancat, Unicatadores e Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) representa uma união de esforços em defesa de toda a categoria, muito além das organizações presentes no evento. O objetivo é garantir espaço aos Catadores e Catadoras nas decisões capazes de transformar a logística reversa brasileira, com políticas públicas voltadas às diferentes realidades encontradas nas ruas, cooperativas, associações e demais territórios.

Se o Brasil pretende avançar na circularidade e reduzir seus impactos ambientais, os Catadores não podem aparecer apenas no fim da conta: precisam estar no centro das decisões.

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