Mês das Mulheres: é hora de refletir também sobre o nosso papel como homens
O mês de março é um período importante de reflexão sobre a luta das mulheres por respeito, dignidade e igualdade. Mas eu acredito que, para nós, Catadores de materiais recicláveis, esse momento também precisa servir para uma reflexão interna principalmente de nós homens.
Como Catador de materiais recicláveis, esposo e pai, e estando hoje como presidente da Ancat (Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis), acompanho de perto a realidade das cooperativas em todo o Brasil e sei que muitas mulheres da nossa categoria enfrentam dificuldades que vão além do trabalho pesado do dia a dia.
Muitas vezes, enfrentam desrespeito, discriminação e violência doméstica. Por isso, neste mês das mulheres, eu penso que não basta apenas homenagear. Nós precisamos parar e pensar sobre a nossa responsabilidade como homens dentro da categoria e da sociedade.
Nós, homens Catadores, também precisamos reconhecer que, muitas vezes, fomos criados em uma cultura que ensinou errado, que o homem não precisa ouvir, não precisa mudar, não precisa pedir ajuda e não precisa servir. E isso não é verdade. Se queremos uma sociedade mais justa, precisamos começar mudando dentro de nós.
Hoje já existem grupos de apoio e de orientação para homens que querem aprender a lidar melhor com seus sentimentos, com a raiva, com o ciúme, com a violência e com comportamentos que foram naturalizados ao longo da vida. Procurar ajuda não é fraqueza. Fraqueza é continuar errando e achar que está certo.
A violência contra a mulher é uma realidade no Brasil e precisa ser enfrentada com seriedade. É necessário fortalecer as políticas públicas de proteção, ampliar o apoio às vítimas e também garantir que a lei seja cumprida com rigor, com punições mais duras para quem comete violência.
Mas também é verdade que essa mudança não depende só da lei. Depende de nós. Depende de nós homens da forma como tratamos as companheiras mulheres no dia a dia.
As Catadoras são a maioria e parte fundamental da cadeia da reciclagem. Sustentam famílias, organizam cooperativas, lideram processos e ajudam a construir a economia circular no nosso País. Respeitar as mulheres é respeitar a própria categoria.
Neste mês das mulheres, eu deixo aqui uma reflexão para todos nós, principalmente para nós homens catadores:
- Precisamos aprender a ouvir mais.
- Precisamos reconhecer nossos erros.
- Precisamos mudar atitudes.
- Precisamos proteger, e não agredir.
- Precisamos se cuidar psicologicamente e espiritualmente
- Defender as mulheres não é só uma causa delas.
- É uma responsabilidade de todos nós.
Roberto Rocha
Catador de Material Reciclável
Presidente da Ancat
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