Novo Cataforte avança em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com planejamento construído pelos Catadores
Planejar o futuro a partir de quem conhece a reciclagem popular por dentro. Foi com essa proposta que a Ancat (Associação Nacional de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis) realizou, em 23 de setembro, em Porto Alegre/RS, a Oficina de Planejamento Estratégico da Rede Porto Alegre com Reciclagem Popular, formada por 15 empreendimentos.
Em parceria com a Fundação Banco do Brasil, a Ancat é responsável pelo assessoramento estratégico e pelo monitoramento do Novo Cataforte no âmbito do Projeto 21758, iniciativa que busca fortalecer a organização, a gestão e a atuação em rede de cooperativas e associações de Catadores em diferentes regiões do País.

🧩 DIAGNÓSTICO VIRA ESTRATÉGIA
A Oficina teve como ponto de partida o diagnóstico dos empreendimentos da Rede, realizado entre 2025 e 2026. O levantamento reuniu dados sobre produção, comercialização, valores dos materiais, estrutura e realidade de cada organização. Mais do que registrar números, o trabalho abriu espaço à identificação de oportunidades ligadas à organização produtiva, ampliação das atividades, fortalecimento institucional e construção de negociações conjuntas, inclusive em frentes não previstas inicialmente no Plano de Trabalho da Rede.
A partir desse retrato, lideranças e representantes dos empreendimentos participaram de uma construção coletiva baseada na escuta e na experiência dos próprios Catadores e Catadoras. Ferramentas como a Árvore dos Sonhos e a análise FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças) ajudaram a transformar expectativas e dificuldades em objetivos concretos. O próximo passo será consolidar um Plano de Ação com responsabilidades, prazos, metas e estimativas de custos, criando referências claras para orientar as decisões da Rede.

🤝 REDE FORTE, NEGOCIAÇÃO FORTE
Durante a atividade, o coordenador Moisés Leão Gil destacou experiências de negociação conjunta já registradas em outras redes e reforçou a importância da alimentação da Plataforma de Avaliação e Monitoramento do Novo Cataforte. Os dados produzidos pelos diagnósticos permitem enxergar com mais precisão o volume movimentado pelos empreendimentos, os valores praticados e as possibilidades de articulação comercial. Essa leitura amplia o poder de planejamento e cria condições para iniciativas coletivas capazes de fortalecer renda, gestão e autonomia.
Para Graziela Arruda, coordenadora da Cooperativa de Trabalho de Triagem de Resíduos Sólidos Urbanos da Lomba do Pinheiro (COOPERLOMBA), a formação mostrou na prática por que a articulação em rede pode mudar a realidade dos empreendimentos. Ela destacou a troca de experiências, a busca conjunta por soluções, a possibilidade de ampliar volumes comercializados e melhorar as condições de negociação.
“Trabalhar em rede significa unir forças sem perder a identidade de cada cooperativa ou associação. Podemos continuar organizados de formas diferentes, mas trabalhar juntos em objetivos comuns”, afirmou.
Na avaliação da coordenadora, o conhecimento construído na Oficina também precisa chegar aos demais cooperados e se transformar em ações dentro das organizações.

♻️ ASSESSORAMENTO QUE CONTINUA
A Oficina também reforçou o papel dos Catadores e Catadoras como agentes centrais da economia circular, da sustentabilidade das cidades e da reciclagem popular. Ao lado da Fundação Banco do Brasil, a Ancat seguirá responsável pelo assessoramento estratégico e pelo monitoramento do Novo Cataforte no âmbito do Projeto 21758, acompanhando a evolução das redes e apoiando a transformação dos diagnósticos em resultados concretos.
