Brasília/DF | Anderson Nassif, diretor de Logística Reversa da Ancat, leva voz dos Catadores à Câmara dos Deputados
Anderson Nassif, diretor de Logística Reversa da Ancat, participou de forma online da audiência pública na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, em Brasília, no último dia 28 de abril. Com mais de 23 anos de catação, ele defendeu a Lei de Incentivo à Reciclagem (LIR) como o principal instrumento econômico para fomentar a economia circular no País e pediu mais visibilidade e valorização aos profissionais que atuam na base da cadeia de resíduos. O encontro, transmitido ao vivo pelo canal da Câmara no YouTube, teve como tema “Impactos atuais da Lei de Incentivo à Reciclagem”.
♻️ TRAJETÓRIA E URGÊNCIA POR INVESTIMENTOS
Nascido da experiência em um lixão a céu aberto, Nassif não usou meias palavras ao descrever o desafio de estruturar cooperativas pelo Brasil. “A lei veio para cobrir uma lacuna de recursos financeiros numa cadeia responsável por cerca de 90% da recuperação de embalagens pós-consumo”, afirmou. Ele destacou que, embora governos municipais e estaduais contribuam, o apoio federal ampliado desde o retorno do presidente Luís Inácio Lula da Silva tem devolvido esperança à categoria. Mas o tom foi de urgência: sem investimento contínuo, milhares de trabalhadores seguem no limite da sobrevivência.
O diretor da Ancat fez questão de separar a nova lei de eventuais comparações com a Lei Rouanet, elogiando o rigor e a credibilidade dos projetos de reciclagem.
“Todo investimento é bem-vindo, mas quero deixar um recado claro: precisa vir junto a valorização de fato do nosso trabalho. Muitos Catadores ainda atuam ‘gratuitamente para a sociedade’, sem receber um centavo por um serviço essencial. O sonho é simples – viver daquilo que a gente faz, com conforto e dignidade”.
🌍 METAS E INCLUSÃO NAS ESTATÍSTICAS
Para além dos incentivos fiscais, Nassif estabeleceu duas metas pessoais: o fim dos lixões a céu aberto no País e a mudança do olhar social sobre o catador – de figura de sobrevivência a profissional reconhecido. Ele também cobrou dados mais precisos sobre reciclagem, sugerindo que a melhoria recente nos índices (que antes patinavam em 3%) ocorreu justamente porque o trabalho invisível dos Catadores começou a ser contabilizado.
“São centenas de milhares de trabalhadores que merecem estar nas estatísticas e, mais do que isso, merecem respeito”, concluiu.
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