“Não existe economia circular justa sem Catadores no centro”, defende Roberto Rocha, Presidente da Ancat, em evento da ReciclaBR e Gerando Falcões
“A economia circular pode movimentar empresas, investimentos e novas tecnologias, mas não será verdadeiramente justa se deixar de fora quem há décadas faz a reciclagem acontecer todos os dias”. Foi com essa mensagem que Roberto Rocha, Catador de Material Reciclável e Presidente da Ancat (Associação Nacional de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis), iniciou sua participação na segunda, dia 24 de agosto, do encontro “Uma Nova Era da Economia Circular”, promovido pela ReciclaBR e Gerando Falcões, no Hotel Rosewood, em São Paulo.
A atividade reuniu diferentes setores para discutir caminhos capazes de ampliar a circularidade e transformar o retorno dos materiais à cadeia produtiva em impacto ambiental, econômico e social.

CATADORES ONDE AS DECISÕES SÃO TOMADAS
Roberto integrou o painel “Logística Reversa na Prática: Estratégias que Movem o Brasil”, ao lado de representantes do Grupo Heineken, Novelis, Ambev e S2F Partners. Além de apresentar a experiência acumulada em mais de 30 anos de atuação na reciclagem, o Presidente da Ancat levou ao encontro uma cobrança da categoria:
“Catadores não podem aparecer apenas na ponta operacional da economia circular, enquanto as decisões sobre o futuro do setor são tomadas sem sua participação”.

O debate também contou com nomes como Luciano Huck e Edu Lyra, fundador da Gerando Falcões, em uma programação com empresas, organizações sociais e diferentes atores ligados à transformação ambiental e social.

TRANSIÇÃO JUSTA SE FAZ COM PARTICIPAÇÃO
A própria participação de Roberto no palco virou exemplo do que ele defendeu durante o encontro. Inicialmente convidado para acompanhar a programação, ele questionou a ausência de um Catador entre os debatedores e reivindicou espaço de fala para a categoria. O pedido foi atendido. O episódio traduziu na prática o significado de uma transição justa: não falar sobre os trabalhadores sem garantir a eles também estarem onde as decisões acontecem.

A defesa encontra respaldo no caminho adotado pelo próprio País. A Estratégia Nacional de Economia Circular associa a transição para a circularidade à justiça social e ao envolvimento dos trabalhadores, enquanto a regulamentação federal da logística reversa prevê mecanismos para ampliar valor e inclusão socioeconômica, com prioridade para Catadores e suas organizações.

UMA POTÊNCIA QUE PRECISA SER RECONHECIDA
Ocupar encontros como esse significa disputar não apenas reconhecimento, mas espaço na construção das políticas, investimentos e modelos econômicos a fim de definir o futuro da reciclagem brasileira:
“Agradeço o convite da ReciclaBR para este importante momento. Nós, Catadores e Catadoras de materiais recicláveis, somos uma potência e contribuímos muito para toda essa cadeia da reciclagem, para toda essa roda que chamamos de economia circular. Mas queremos uma economia circular justa, com os Catadores no centro da circularidade.”
