Sede permanente marca conquista histórica das Catadoras e Catadores de material reciclável no encerramento do “Encontro Nacional do MNCR”, em São Paulo

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Sede permanente marca conquista histórica das Catadoras e Catadores de material reciclável no encerramento do “Encontro Nacional do MNCR”, em São Paulo

Tem conquista que não cabe em uma foto, em um discurso ou em uma cerimônia. Na última quarta, 26 de agosto, 3º e último dia do Encontro Nacional do Movimento Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (MNCR) terminou com uma dessas cenas. Lideranças dos 26 estados brasileiros, reunidas na sede da Associação Nacional de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat), em São Paulo, conheceram o novo espaço permanente do MNCR, da Unicatadores e da própria Ancat. Depois de tantos anos de luta, mudanças, dificuldades e improvisos, os Catadores finalmente podem dizer: agora existe uma casa própria.

UM LUGAR PARA CHAMAR DE NOSSO

Durante três dias, o encontro reuniu lideranças de todas as regiões do país em uma programação marcada por diálogo, troca de experiências e planejamento das próximas lutas. Mas o encerramento ganhou outro peso quando o grupo entrou no novo espaço. Para muitos dos presentes, não era apenas uma visita. Era a materialização de uma história feita por gente acostumada a construir muito com pouco, enfrentar portas fechadas e seguir adiante mesmo quando faltava estrutura, dinheiro ou apoio.

Claudete Costa, Catadora do Rio de Janeiro e militante do Movimento desde 2002, carregou essa memória na fala:

“Meu primeiro momento de chegada foi dormir dentro de uma escola pública, praticamente no chão, em cima de um colchonete bem fininho, fazer comida no fogo de lenha, debaixo de chuva, muito frio. Mais de duas décadas depois, entrar em uma sede própria trouxe uma sensação difícil de resumir. Hoje, 26 de agosto, nesse espaço a gente realmente bota a planta dos pés e legitima: é nosso! Valeu a pena a luta, valeu a pena a construção, valeu a pena os choros, os risos, as noites longe dos nossos filhos e familiares”.

QUEM CHEGOU ATÉ AQUI CARREGA MUITAS HISTÓRIAS

A emoção também veio de quem olhou ao redor e lembrou das pessoas que ajudaram a levantar o Movimento, mas não puderam viver esse momento.

“É muito emocionante a gente estar num espaço físico nosso. É um histórico de lutas, de anos. Essa é uma conquista coletiva. É uma conquista dos que estão aqui presentes e dos que já foram, mas deixaram seu legado de luta e de resistência. A sede nasce, assim, como um lugar para o presente, mas também carregado pela memória de quem abriu caminhos antes”, comentou o Catador de Material Reciclável e Diretor de Logística Reversa da Ancat, Anderson Nassif.

Geane Santos, Catadora de Salvador, na Bahia, e integrante do MNCR há mais de 20 anos, conhece bem essa caminhada:

“A gente já passou muito perrengue, já se mudou várias vezes de sede por não ter condições de pagar o aluguel na data certa. Hoje, estamos aqui presenciando um espaço físico da categoria. Aqui a gente vai poder fazer nossas reuniões, capacitações e formações, tanto para Catadores organizados em Cooperativas e associações como para os companheiros que ainda estão nas ruas. Viva a luta! Viva a memória dos que se foram e não conseguiram ver isso!”

A LUTA GANHA UMA CASA, MAS NÃO PARA AQUI

A nova sede também será um ponto de encontro, formação e construção política. Roberto Rocha, Catador de Material Reciclável  e Presidente da Ancat, destacou o compromisso de transformar o espaço em uma referência para Catadores e lideranças de todo o Brasil.

“Hoje é um dia muito importante para nós. Os Catadores e Catadoras são uma potência e, por serem uma potência, nada melhor do que conquistar os seus próprios espaços, seus lugares e suas áreas de trabalho. O endereço passa a oferecer algo simples, mas decisivo: um lugar fixo onde a categoria pode se reunir, organizar seus próximos passos e fortalecer sua própria voz. Viva os Catadores! Viva as Catadoras!”

O encerramento teve aplausos, abraços, lágrimas e a certeza de que aquela chave abre muito mais do que uma porta. Depois de tantos anos de caminhada, a categoria conquistou um espaço próprio no coração de São Paulo.

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